10/03/10

A Vergonha do Eduardo Pitta

Durante a campanha eleitoral o Eduardo Pitta escreveu que o BE tinha uma “agenda oculta”. E qual era a prova que apresentava para falar de uma tal “agenda oculta”? O facto do BE ter colocado no seu programa eleitoral a proposta de finalizar certos benefícios fiscais. Ou seja, se bem etendi, dizia-se o seguinte: que o BE queria ocultar algo, sendo que a melhor forma que encontrou de ocultar algo foi colocar esse algo no seu programa eleitoral. Na ocasião, disse ainda Eduardo Pitta que a proposta do BE resultava do “vanguardismo revolucionário” do partido e do seu líder e configurava um ataque à “classe média”: “A operação significa esmifrar a classe média-baixa em mil milhões de euros? Mas o que é isso para as vanguardas revolucionárias?”.

Em resposta ao meu post onde recenseava novamente aquelas ideias do Eduardo Pitta, este diz que o acuso de dar como boas as propostas de redução agora apresentadas pelo governo. Mas engana-se. O meu post não se pronuncia acerca disso, a não ser na parte final, onde defendo: redução de benefícios fiscais na saúde e na educação paralelamente a aumento da capacidade dos serviços públicos naquelas áreas. Situação esta que não se verifica no actual programa que o governo agora revelou aos portugueses. Pode ser que esteja oculto, tudo bem, e eu é que não sou suficientemente desconfiado...

Do que o meu post falava era do ridículo a que chegara boa parte da argumentação desenvolvida por alguns dos escribas do Simplex no período da campanha. E é bom recordar que a campanha não aconteceu na idade média ou na idade da pedra. E agora que o governo decide eliminar certos benefícios fiscais, agora sim, é que se poderia falar de agenda oculta. Aliás, seria até um favor que se faria ao governo. Porque na verdade é muito mais do que isso: o governo fez campanha dizendo que vinha aí o lobo mau bolchevique para comer a classe média com o fim dos benefícios fiscais e que o Francisco Louçã era um perigoso revolucionário; com base nisso terá ganho votos (embora eu também ache que é capaz de ter perdido alguns...); e agora o governo faz o contrário do que apregoara na campanha.

Por fim, o Eduardo Pitta diz que não é pessoa de lançar intrigas, mas que estranha ver-me a fazer as vezes de Miguel Frasquilho: “Eu não sou de intrigas, mas é estranho que o Zé Neves, que não tenho o prazer de conhecer, e o Daniel Oliveira, pareçam ter enfiado a carapuça destinada aos que (os Frasquilhos todos) exigiam PEC duro e agora gritam por socorro”.Ora, aqui chegados, resta dizer o seguinte: ou o Eduardo Pitta é de lançar intrigas ou não é de lançar intrigas. Garantir-se como um tipo essencialmente correcto que não lança intrigas para em seguida lançar intrigas à vontade, isto apenas dá conta da vergonha que o Eduardo Pitta sente diante da argumentação que o Eduardo Pitta vai usar em seguida. E nisto tudo só esta vergonha é que me é compreensível.

1 comentários:

Anónimo disse...

Caro ZNeves:Eduardo Pitta faz pela vidinha. Com a morte de Eduardo Prado Coelho e a insofismável desvalorização da Crítica Literária no Mundo, e em Portugal, existe um espaço público a conquistar. Quanto mais não seja por defeito ou para valorizar posição de classe política/social e profissional a defender... Existem vários candidatos na pole position. Um deles é o Pitta. Quem não gostaria de ter uma tribuna semanal num Diário qualquer para se assumir como" pai tirano " à la João Gaspar Simões? O pior de tudo é o imaginário social- a socialite - de Pitta: sempre do lado do mais " forte", do "vencedor", do "famoso", do " conhecido ", da "tribo"...Como disse Raoul Vaneigem: " O intelectual é um indivíduo proletarizado pela inflação cerebral da mercadoria, pelo trabalho que produz o pensamento separado da vida.Tenta compreender os seres e as coisas através de um jogo de funis ao contrário, agindo por compulsão e venalidade; e essa compreensão integra-se no mundo dominador e na mercadoria que se nega e reforça". Por agora fico por aqui. É todo um tratadinho este Prof. Pitta. Niet