01/06/11

Vamos lá ver se Raquel Varela explica se, desta vez, sempre censurou o meu comentário ou se limitou a impor no debate, na sua qualidade de militante do "partido revolucionário", a saudável autoridade deste último, tão indispensável às "massas" como a do professor na sala de aula

Aqui há dias, depois de eu a ter interpelado pela não publicação de um comentário que fizera a um dos seus posts, Raquel Varela negou terminantemente que o tivesse censurado e alegou que a não publicação do comentário se devera a uma distracção. Quem quiser alguns pormenores mais sobre o episódio, pode consultar o meu post e a respectiva caixa de comentários aqui no Vias.

Ontem à noite (31.05.2011), algumas declarações de Raquel Varela, numa troca de argumentos com Henrique Pereira dos Santos a propósito de um seu (dela, RV) novo post, levaram-me a interpelá-la na caixa de comentários.  Ora, acontece que, embora tenha publicado vários comentários posteriores ao meu e até respondido a um deles, RV, no momento em que me preparo para postar estas linhas,  continuava a reter (awaiting moderation) as minhas observações.

Se publico aqui essa intervenção que RV não publicou, é não só para lhe dar nova oportunidade de se explicar, esclarecendo se decidiu censurar-me e por que razões ou se tornou a esquecer-se por distracção recorrente a dar-me a palavra, mas também porque o meu comentário  levantava sumariamente uma questão de fundo — bem mais importante do que a de saber se RV faz ou não parte da tendência censória organizada desde há já tempos no interior do 5dias e ao arrepio da prática da maior parte dos membros da equipa do blogue — sobre as consequências políticas desastrosas de certas concepções da acção política e da sua organização (ou seu "modo de produção") que reproduzem e/ou reciclam o modelo das relações de poder que afirmam querer transformar. O meu comentário, pois, aqui fica:








miguel serras pereira says:








Your comment is awaiting moderation.
Raquel Varela,
gostaria de estar enganado, mas da sua troca de argumentos – sobretudo – com o Henrique fiquei com a ideia de que você acha que o “partido revolucionário”, que é a sua aposta política fundamental, está para as massas ignorantes, como o professor para a turma que lecciona. O que a levaria, em boa lógica, a deixar a democracia (ou seja, a igualdade em termos de tomada de decisões e de exercício do poder) para depois – para uma etapa posterior à da educação pelo “partido revolucionário” do conjunto dos trabalhadores e cidadãos comuns. Durante essa etapa preliminar – ou “período de transição” -, o professor e detentor da autoridade e do poder, investido de governar os outros e corrigir os seus erros, seria, portanto, em seu entender, o “partido revolucionário” – é isso?
A questão não é de somenos, porque estão em jogo aqui duas concepções da transformação a empreender – duas concepções do “socialismo” se quiser. Como escreve o João Bernardo, mas as passagens entre rectos são minhas: “Estavam em jogo duas concepções de socialismo profundamente diferentes. Uma delas pugnava por uma gestão descentralizada das empresas, a cargo dos seus próprios trabalhadores [e pela participação igualitária nas decisões políticas]. A outra defendia [a direcção política e oexercício do poder nas mãos do "partido revolucionário" e] uma planificação centralizada e despótica de toda a economia”.

Adenda: Uma vez mais, depois de publicado este post, RV publicou o comentário, que, dado o seu cauteloso silêncio até ao momento, ficamos sem saber se quis censurar, se silenciou por distracção ou, talvez, simples reflexo pedagógico. A ver vamos. 

16 comentários:

Anónimo disse...

Apenas para testemunhar uma outra situação de censura no 5 dias: há uns tempos fiz um comentário a um post do Pedro Penilo.

Este decidiu censurá-lo com o argumento de que eu o estava a tratar por tu. Confesso que fiquei entre o pasmo e a revolta. Não estava à espera. A partir daí, decidi não correr mais riscos e tratar o Sr Penilo com todo o respeito que me merece. Ou não.

Cumprimentos, Luís

Miguel Serras Pereira disse...

Mas, caro Luís, então não sabia que Pedro Penilo é um doutor de Coimbra, e não - que sei eu? -um simples futrica como nós?

Lembre-se, de resto, que já o genial Estaline fulminava o igualitarismo, em termos inequívocos, pondo os pontos nos ii - "O igualitarismo não tem nada em comum com o marxismo socialista"?

Há que dobrar a língua quando se fala com os chefes.

Saudações democráticas

msp

Anónimo disse...

Em qualquer blogue, site ou seja lá o que for, onde haja pelo menos moderação nos comentários estamos sempre sujeitos a ser censurados... é o caso... porque será?

Niet disse...

Eu também ja tive o desprazer de ter sido censurado pelo dr. P. Penillo! Já foi há muito,uns bons pares de meses, por causa irrelevante e desencabrestada- pura ignominia- cega e visceral- de caporal estalinista!Mas, fiquei " marcado ", caramba! Uma só explicação para estas atitudes de sadismo militante reaccionário: a ausência de escrúpulos teóricos e de uma ética à prova de bala. Só a liberdade de pensar diferente - é liberdade!, acentuava a Rosa Luxemburg em 1918 dirigindo-se a Trotsky e a Lénine. Por outro lado,relendo um texto capital sobre o Lenino-trotsquismo- " O papel da Ideologia Bolchevique "- na génese do capitalismo de Estado e da ditadura monopartidária de fachada socialista, Castoriadis indica que a revolta de Kronstad- mesmo que tivesse saido vencedora e não esmagada pelo exército vermelho- já não conseguiu, objectiva e historicamente, eliminar a via burocrático-policial da traída Revolução de Outubro. Niet

samuel disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
من disse...

a transformação das relações de produção...pois e em Portugal a maior massa de trabalhadores produz serviços

deixar a CP a ser gerida pelas comissões de trabalhadores deu salários interessantes a maquinistas que a 150 e a 200 euros por dia
mais auxililiares e revisores
ganham mais do que as receitas das bilheteiras automáticas

nos comboios vazios das linhas do sul

a adega cooperativa de Tavira gerida de forma exemplar pelos seus trabalhadores

deixou 5milhões de contos de dívidas aos 12.000 agricultores
que escoavam a sua produção

nesse paradigma da auto-gestão
além das acções dos 4.670 associados da cooperativa deixarem de valer merde

cada um tenta engordar à custa dos outros

igualitarismo adonde?
só os excrementos parecem ser iguais

من disse...

ninguém se organiza num caos de ideias

e ninguém gosta de ceder às ideias dos outros
mesmo quando parecem ser iguais

Anónimo disse...

Serras Pereira:

Desculpe lá mas falar de censura de comentários aqui neste blogue é como falar de corda em casa do enforcado.

Você não sabe e não tem culpa mas o Tunes nisso ganha por muitos à R. Varela.

Rita Delille disse...

eu fui censurada no 5 dias pela histérica Joana Manuel que quer muito ser honesta e, ao mesmo tempo que me insulta e se vai abaixo em crises neuróticas e diz que na sala dela só está "quem pode", vai relatando os comentários que eu faço e que ela não censura num post com um vídeo (ahahaha, isto é muito bom) de um ciclo absolutamente hilário sobre o aprofundar da democracia.

http://5dias.net/2011/05/30/o-encerramento-nao-vamos-voltar-atras/#comments

RITA DELILLE disse...

onde se lê "vai relatando os comentários que eu faço e que ela não censura" deve ler-se ""vai relatando os comentários que eu faço e que ela CENSURA"

Miguel Serras Pereira disse...

Caro Anónimo da 01.17

já o disse aqui noutro dia, mas repito: até nova ordem, aqui no Vias, todos os comentários são publicados, e só depois podem ser eliminados se violarem claramente o nosso "estatuto de moderação" que todos podemler quando abrem a página de onde enviam os seus contributos.
Dito isto, gostaria de fazer notar que nunca foi censurado, fosse por quem fosse, qualquer comentário que apresentasse posições diferentes, opiniões contrárias, crítica de ideias, etc. E uma coisa é eliminar comentários insultuosos ou anúncios publicitários, etc. - outra, eliminar interpelações, divergências, objecções endereçadas ao autor do post. Ora, os comentários que o bando dos censores que referi, por um lado, e a distracção da RV me impediram de publicar nas caixas dos seus posts foram censurados ou deixados por publicar pelas ideias, propostas, observações críticas que continham. O que faz toda a diferença.

Saudações democráticas

msp

Anónimo disse...

Mentira, Miguel, mentira, grande mentira. Não o acuso directamente a si, mas é cúmplice e conivente ao veicular essa imagem idílica e profundamente falsa do vosso site. Posso testemunhar pessoalmente que o seu camarada Tunes é, provavelmente, o maior censurador da blogosfera portuguesa. Qualquer coisa que não lhe agrade ou lhe seja menos conveniente, mesmo que escrita de modo respeitoso e enquadrada no temas dos posts, vai logo de razia. Há certamente centenas de comentadores que já tiveram essa experiência. Eu fui apenas um e, garanto-lhe, apesar de chegar a ter tido vontade, em momento algum fui ofensivo.
A sua afirmação de que só são eliminados comentários que não se enquadrem no estatuto editorial do vosso site lembra-me as reescritas da história stalinistas.

Miguel Serras Pereira disse...

Caro Anónimo,
repito que não conheço casos de comentários eliminados excepto ao abrigo do estatuto editorial do Vias.
Uma vez que todos os comentários começam por ser publicados e que são lidos por toda a gente, posso afirmá-lo sem hesitar.
E julgo que lhe compete a si provar que estou enganado, já que persiste em desmentir-me (assim como assim, não era necessário chamar-me mentiroso). Repare que, quando eu denuncio a censura que visa os meus comentários, nunca o faço sem o provar.
Quanto a considerar que eu estalinizo, nem sei que lhe diga. Poderia responder-lhe que também é estalinismo fazer acusações sem as demonstrar e que, por outro lado, como estou a tentar explicar-lhe, não estou a apresentar qualquer idealização ou idilização do tipo de práticas a que você se refere. Mas prefiro não ir por aí e manter a discussão dentro dos limites da decência - é a única maneira de a tornar minimamente esclarecedora. Não lhe parece também a si?

Saudações democráticas

msp

Luis Rainha disse...

Desde que por aqui ando, apaguei dois comentários, por insultarem terceiros. Mas ainda ontem me aconteceu resgatar da pasta de spam um comentário perfeitamente aceitável. Coisas que acontecem; quanto a casos de censura por aqui, é a primeira vez que leio tal coisa.

Anónimo disse...

A questão da censura é uma questão política, e não moral ou perversa. Justamente, os censores atrevem-se a cortar e apagar aquilo que- numa ordem perversa de representação-burocrática e de grupo...- lhes parece ser a ordem natural do pequeníssimo mundo em que vivem e onde, julgam eles, pensam mandar ou permanecer, ad eternum...É esse o perigo de qualquer tipo de " organização " onde se substitui o princípio de responsabilidade- neste caso, o dever de se tentar esclarecer todas as questões - pelo falso unanimismo do mecanismo sub-liminar de protecção ideológica7 humoral de casta. O uso de categorias morais acaba por acelerar a despolitização e de favorecer a lógica do sistema de repressão e exclusão em que vivem as oligarquias, sistema realizado e sustentado pela hierarquia e a assimetria social mais violenta e injusta. Niet

الرجل ذبح بعضهم البعض ولكن الخيول باهظة الثمن disse...

que todos podemler

olhe que não olhe que não

inda há mais analfas que neologismos

e gadjus que pensam a andar

e só andam a pensar

sobre quê

como dizia o tal pereira

fartam-se de pensar

no quê isso não interessa