31/10/12

Aguenta!


Em 2005, havia um banco cujo site parecia aquilo a que hoje se chama uma loja chinesa: de computadores a peças de ourivesaria, tudo se vendia por ali, sempre com a promessa de dinheiro rápido e fácil. Para tudo ter, bastava pedir os afectuosos serviços do BPI. E o respectivo crédito ao consumo, claro está. 
 Este banco era já então comandado por Fernando Ulrich. Esse mesmo: o incalável tenor da cantilena “os portugueses viveram acima das suas possibilidades”; o iluminado que quer desempregados a trabalhar para ele sem pagar; o banqueiro que não pára de lucrar com a dívida soberana portuguesa, enquanto se refinancia a taxas mais que generosas; o homem que gasta a língua a dar graxa aos sapatos do governo e a vituperar todos os seus empecilhos, do Tribunal Constitucional ao madraço do tuga.
Agora, o visionário só tem uma palavra para responder a quem duvida que Portugal seja capaz de levar com mais doses desta terapia assassina: “Aguenta!” É certo e sabido que os gregos fazem um pouco mais de barulho nas manifs do que nós e partem uns quantos tarecos urbanos, “mas eles estão lá, estão vivos”. 
 Talvez aqui se justifique perguntar se o senhor banqueiro aguentaria que lhe arrancassem a língua com uma tenaz ferrugenta. Ficaria vivo, isso é certo. Ou relembrar um episódio pícaro que há uns anos teve como estrela um conhecido arquitecto. Também ele incitava as renitentes parceiras a serem privadas do seu bem-estar e da sua dignidade com a mesma palavra de ordem: “aguenta!”


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2 comentários:

Libertário disse...


Um dos problemas mais sérios de que não se fala em Portugal e seria fundamental para resolver o problema dos Srº Borges, Ulrich e outros que tais é o da extinção da Cordoaria Nacional.
Se houvesse corda eles não falariam o que falam...
Mas "aguentem" caros senhores quem sabe esse assunto não se resolve com corda made in China.

Anónimo disse...

eu li nessas declarações, alguma aceitação conformada, e até compreensão, da eventual destruição das montras de balcões do BPI espalhados pelos país. ao fim ao cabo, é só um protesto mais veemente, dentro do expectável em face destas medidas de austeridade.