18/06/17

A tragédia de Pedrogão Grande. Trovoada Seca.

A razão para esta terrível carnificina já foi encontrada: razões meteorológicas, com destaque para as Trovoadas Secas.
Enquanto a [ainda] ministra da Administração Interna não se recorda do nome das duas  povoações que foram evacuadas ao início da tarde, talvez valha a pena ler o que aqui se escreve. E recordar o que se escreveu , faz agora um ano, quando da tragédia que ameaçou queimar o Funchal.

PS - depois das tragédias é sempre o tempo para tratar dos feridos, enterrar os mortos e ajudar os familiares e as comunidades. O tempo de passar da lamentação para a discussão das politicas e desta para a tomada de medidas concretas nunca chega. A voracidade da agenda não dá tempo para se chegar a esse tempo.
O que escrevi nessa altura pode ser agora repetido. As catástrofes não pararam, nem a inércia dos decisores politicos, nem tão pouco se mudaram as politicas. Estão reunidas todas as condições para tudo continuar como até aqui.

1 comentários:

Carlos Soares disse...

Não faz sentido, é uma loucura, mas verifica-se que, quanto mais se investe em meios de combate aos incêndios, quanto mais tempo de antena, quanto mais palestras, quanto mais exéquias e solenes parlamentos, mais repetitivos e insuportáveis se tornam os fatalismos e os conformismos. Porque a minha memória de mais de meio século permite constatar que, todos os anos, chegam os incêndios/fogos florestais e chegam cada vez mais devastadores. Para um otimista, como é qualquer criança que acredita que os adultos podem resolver problemas, cada ano seria menos trágico que o anterior. Não foi isso que aconteceu. Mas a criança otimista continua a acreditar que, por alguma razão desconhecida, as coisas pioraram. A criança fica estarrecida mas encontra desculpas para os adultos que encolhem os ombros. No ano seguinte, repete-se todo o palavreado. Os incêndios brincam com toda a gente. Não faltam ideias para prevenir, mas o incêndio faz parte da tradição, tal como os foguetes, e pronto. A criança estarrecida deixa de acreditar naquela gente que vem lamentar os fogos e as mortes, etc..., e pensa que vive num mundo a arder, num inferno. O fogo não tem culpa, mas é possível imputar responsabilidades pelas consequências dos fogos florestais.
Eu apostaria que, a manter-se a tendência, apesar da desgraça e do horror de Pedrógão Grande, ainda este ano as coisas não vão melhorar, porque, incompreensivelmente, para muita gente, os fogos florestais não passam de fogos de artifício.